Não Adorar Imagens de Escultura | Não farás para ti imagem de escultura

Quando falamos sobre não adorar imagens de escultura, estamos nos baseando no segundo mandamento da lei de Deus (dos dez mandamentos) que começa com, “não farás para ti imagem de escultura”:

Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
Êxodo 20:4

Não farás para ti imagens de escultura

A palavra usada no original em hebraico, é o termo פֶסֶל péssel, que significa “estátua, ou ídolo, feito de pedra, madeira, ou outros materiais”. Vamos ver este verso no original.

êxodo 20:4 em hebraico, não farás para ti imagem de escultura
Não adorar imagens de escultura. לֹא-תַעֲשֶׂה לְךָ פֶסֶל וְכָל-תְּמוּנָה אֲשֶׁר בַּשָּׁמַיִם מִמַּעַל וַאֲשֶׁר בָּאָרֶץ מִתָּחַת וַאֲשֶׁר בַּמַּיִם מִתַּחַת לָאָרֶץ׃ Êxodo 20:4

O segundo mandamento proíbe que o ser humano faça estátuas para si mesmo, e nenhuma imagem do que está nos céus, na terra ou nas águas. Isso quer dizer que não podemos prestar culto aos elementos da natureza, como o sol, a lua e as estrelas.

Nem ao mar, nem aos deuses do mar, nem aos deuses do ar e do céu ( o horóscopo “adivinhação”, é ligado com os deuses do cosmos, júpiter, saturno e etc ).

Filo de Alexandria reconhecia que a adoração dos astros, sol, lua e estrelas, era uma forma antiga de idolatria, pois os adoradores dos elementos da natureza estavam colocando a criação acima do Criador.

Ele porém considerava pior, aqueles que adoravam imagens, ou estátuas feitas pelas mãos humanas:

Entretanto, os seus pecados não podem ser comparados com aqueles que fazem a madeira, pedras, prata, ouro e qualquer material similar – cada um de acordo com o seu prazer – em imagens, estátuas…

essa pessoa está… causando uma séria ferida… na vida da raça humana. Filo de Alexandria – Volume II Êxodus

Maimônides, em seu comentário sobre as origens da idolatria, chegou a conclusões similares a Filo de Alexandria:

Os antigos acreditavam que uma vez que Deus criou as estrelas e as esferas com que controlava o mundo, mortais deveriam tratar essas forças celestes com respeito, uma vez que elas ministravam diante Dele – justo como um rei deseja que os seus servos sejam honrados.

Depois que conceberam esta noção, eles começaram a construir templos para as estrelas, e a oferecer sacrifícios diante delas.

Eles as louvariam e glorificariam com palavras, e se prostrariam diante delas, porque fazendo assim, eles erroneamente acreditavam que estavam cumprindo a vontade de Deus. Maimônides – Origens da Idolatria

Amuletos “da sorte”, “pé de coelho”, “cristais energéticos”, e etc, são outras formas de imagens de esculturas e também estão ligados com a idolatria.

Como a palavra hebraica פֶסֶל péssel, significa tanto “estátua”, como “ídolo“, em um outro nível de interpretação, é proibido pela Bíblia, que tenhamos “ídolos”. Deve-se ter muito cuidado para não idolatrar pessoas, cantores, bandas, artistas e atores.

Não adorar imagens

E logo no versículo seguinte a esta proibição, o Êxodo nos traz um trecho complementar, mas específico, e mais fácil de entender:

Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.
Êxodo 20:5

Veja que são dois versículos, complementares, porém que conservam diferenças e semelhanças:

  1. Primeiro – não podemos fazer “para nós [para ti] imagens de escultura”; e
  2. Segundo – ordem para não adorar imagens .

Veja que se curvar diante das imagens, constitui adoração, e idolatria. A palavra usada é תשתחוה “tishtarraveh”, “[não] inclinarás/encurvarás”. No Antigo testamento os Hebreus se inclinavam somente ao Eterno.

No Novo Testamento, muitos se inclinaram a Jesus! É por isso que o Apóstolo João ordena aos Cristãos:

Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém.
1 João 5:21

A arca da aliança e a serpente de bronze

A proibição de fazer estátuas e imagens, foi claramente definida no contexto da adoração de ídolos. Há, então, várias razões pelas quais os querubins da arca da aliança, não entram em conflito com essa ordem de não se curvar às imagens de escultura.

Primeiro, não havia chance de que o povo de Israel se inclinasse diante dos querubins no lugar santíssimo, já que estavam proibidos de ir ao lugar santo. Até o sumo sacerdote ia apenas uma vez por ano, no Dia da Expiação (Levítico 16).

Além disso, a proibição não é contra fazer qualquer imagem de escultura para fins decorativos, mas daquelas usadas ​​no culto religioso. Em outras palavras, eles não deviam adorar qualquer outro Deus ou qualquer imagem de qualquer deus.

Não vos virareis para os ídolos nem vos fareis deuses de fundição. Eu sou o Senhor vosso Deus.
Levítico 19:4

Os querubins da arca, não foram dados a Israel como imagens de Deus; eles eram anjos. Nem foram dados para serem adorados. Portanto, não há como os elementos do Tabernáculo fazê-los violar o mandamento em Êxodo 20.

Finalmente, a proibição em Êxodo 20 não é contra a arte religiosa como tal, que inclui coisas no céu (anjos) e na terra (humanos ou animais). Pelo contrário, foi contra o uso de qualquer imagem como um ídolo.

Essa idolatria imaginada é evidente pelo fato de terem sido instruídos a não “se curvar a eles nem a servi-los” (Êxodo 20: 5). A distinção entre uso não religioso de imagens e uso religioso é importante.

O exílio por adorar imagens

Em diversos momentos da história dos Hebreus, o povo deixou a aliança com o Eterno, e passou a adorar ídolos, imagens feitas de pau e de pedra. O Eterno se indignou de tamanha forma com eles, que os lançou fora de Israel, para o exílio.

…Porquanto vossos pais me deixaram, diz o Senhor, e se foram após outros deuses, e os serviram, e se inclinaram diante deles…

Portanto lançar-vos-ei fora desta terra, para uma terra que não conhecestes, nem vós nem vossos pais…
Jeremias 16:11-13

As dez tribos do norte (que depois vieram a formar os samaritanos), foram levadas para as regiões da Assíria, e não retornaram mais. As duas tribos do sul, os Judeus, foram levados para a Babilônia, mas conseguiram voltar para reedificar Jerusalém.

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